Julho 05, 2009

Gérbera


"Ella es orgullosa, ya me he dado cuenta hace mucho tiempo". S.K.

Julho 03, 2009

Arte taciturna



São muitos os caminhos desse jardim
em todos brilha a vida
na máxima intensidade.

Nenhuma "avidez de novedad" ou tagarelice supérflua
encobre o brilho desse cuidado. Os móveis flutuam na ar, cheios de energia concentrada. Eis o solo firme para onde volta o olhar, depois de percorrer os senderos impossíveis.

A mão suave dribla as esferas translúcidas, ensandecidamente lúcidas, que giram sem cessar na tua presença.

"¿No está insuficientemente pensado lo que no se puede decir?"

Junho 27, 2009

Reverência


Reverência é um tratamento respeitoso. Feito àqueles que são admiradas por suas vidas, atitudes e palavras. Existem diversos tipos de reverências. A que, aos meus olhos, mais destaca sua finalidade é a reverência no tratamento.

Lendo a introdução ao seminário feito por Castoriadis, sobre O Político de Platão, vi uma dessas reverências que aparece de uma forma muito doce. Ele diz assim: "uma primeira elaboração da transcrição bruta foi feita por Pascal Vernay com a colaboração de três de seus amigos, em 1992, e submetida àquele que chamávamos de Corneille".

É esse "a quem chamávamos de Corneille", que desperta, é o que sinto, o sentimento de tão doce e carinhosa reverência à existência de alguém. Muitos outras expressões de reverências traduzem a grandeza desse sentimento de gratidão à vida, por alguns abençoados.

Junho 22, 2009

Esferas


As esferas giram imutáveis sobre o tempo. É o fim de uma tarde e uma criança espera sua bola de sabão flutar ao infinito. É a singularidade do limite que vivemos na solidão da existência. As esferas flutuam girando sobre as faces lisas e espelhadas da noite

"A esta clase de límite pertenece, por ejemplo, la muerte que cada uno ha de morir, la culpa que cada uno ha de asumir, el conjunto de la organización personal de la vida en la que cada uno debe realizar-se como aquel que sólo él es en su unicidade". H-GG

Nessa hora de silêncio as esferas brilham sem fim no verde da avenca. É a hora de um tempo sem nenhum desejo de novidade, sem nenhuma angústia por novidades. É a hora das esferas flutuarem num movimento sem fim, de calma, da mais pura calma.

A bolha de sabão é uma esfera de pura luz e ilusão. Um eterno instante de infinito maravilhamento, uma borboleta azul no caminho de Inhotim, de uma trilha borboleta, sorridente e feita de papel crepom. Uma coleção de Divinos de cores suaves e permanentes.

A avenca é um verde que te quero verde. Um palavra verde que diz azul, que diz borboleta e morte. Não são truques nem trocas de palavras. São apenas esferas flutuando as imagens dos abismos abertos para o homem.

São capítulos dentro de capítulos, como bonecas russas dentro de outros segredos e esperanças. O instantâneo acontecimento dobra a rua e parece familiar no início do inverno.

Junho 19, 2009

Mimosa pudica

Malícia



Reino: Plantae
Género: Mimosa
Espécie: Mimosa pudica

Junho 17, 2009

Declarações


Eu te odeio e outras declarações de amor. E com esse espírito de contradição que a natureza ronda os sentimentos humanos. A hora agitada da manhã clama um momento de contemplação. Mas já é tarde nessa manhã com tantas coisas a fazer. As idéias parecem deslizar num tobogã de ilusões e a necessidade das declarações torna-se imperativa. A tela limpa espera pacientemente o caminhante falar das dobras que escondem a sua curiosidade com o canto do pássaro.

O amor, esse mistério, é o pathos por ti que habita minh'alma. O ódio é lado obscuro que ilumina a beleza resplandecente da tua beleza. Vou cantar o encanto dessa osbcuridade que acontece nos permanentes fragmentos das lembranças dos dias em que estavas sorrindo por nada.

Junho 13, 2009

Etologia



O primeiro raio de sol ilumina a varanda e a vida retoma sua agitação habitual. A fome, a sede, os reclames do corpo. Lembro que ontem uma jovem estudande de Biologia abriu seu livro e foi deslizando o olhar sobre as figuras dos animais. O livro era sobre Etologia. Ensinou-me que alguns bichos são mais difíceis de educar e que outros não aprendem nunca. A luz e o calor do sol ficam mais intensos e um desses raios ilumina discretamente um detalhe escondido na varanda.

"Deus está no particular". Esse é o lema que orienta o olhar que perscruta. O ar dessa varanda traz de volta a imagem do pequeno vaso com flores iluminado pela luz pura da manhã. Olhar horas a fio o entorno imediato, em calma contemplação dos detalhes, permite ver e pensar o outro lado da luz. Uma flor, uma insignificante passagem da brisa, o canto distante do pássaro e todo esse mundo bucólico ressurge na agitação do mundo complexo que está logo alí, na volta da curva.

Na procura do beijo, a procura da vida.

Junho 12, 2009

O dia de hoje



O dia de hoje lembrou aqueles dias de pouca luz e muita alegria. Logo pela manhã a chuva inavadiu as ruas e o trânsito ficou insuportável. Mas ainda assim a luz amarelada, que brilhou no fundo do Café das Horas, brilhou com mais beleza que nos outros dias. As filas ficaram unsuportáveis, tudo parecia mais lento e iria atrasar ainda mais. Qualquer idéia que não fosse prática e razoável caberia num dia daqueles. Toda a poesia, naquela estranha luz acinzentada, parecia escoar na água do guarda-chuva.

O café ficou mais quente e saboroso e as incertezas sobre os resultados das incertezas eram balanços finais de notícias incontornáveis. A vida seguiu o seu rumo de alegrias e incertezas.

O mar da minha varanda ficou vermelho essa noite. Era o anúncio desse estranho dia, de pouca luz e muita alegria. Logo pela manhã a água desceu pelo guarda-chuva e a luz amarela brilhou com mais calor no aroma do café das horas, onde fiquei esperando vc sair do psicanalista.

Junho 10, 2009

A insustentável leveza


As primeiras horas da manhã deslizam as delicadas gotas sobre as folhas da grama. As primeiras horas ainda não são a realidade do dia. Esta só aparece depois que o sol anuncia sua luz soberba e total.

Penso nas palavras dos poetas e que poetas são palavras dizendo o mundo, além da realidade da luz soberba do sol. Penso na suave cor que brilha no sorriso da criança e no olho do lagarto azul.

A esfera rola pela escada e cai na piscina de mercúrio. É uma escultura no pátio de um museu em Barcelona. Uma luz suave e pertubadora invade a alma e o corpo. O tempo é de luz e enigmas coloridos, serpentes feitas de espantos e esperas.

O silêncio é oportuno. A argumento é insano. O desejo é sempre.